quarta-feira, 6 de março de 2019

A quarta-feira de cinzas é fogo!


Os foliões mortos de folia, esses diferentes de outros mortos que conhecemos, estarão mais vivos que nunca no próximo carnaval. O que se queimou, porém, virou cinzas. Agora é passado. Então o que fazer agora? Nada mais simples: guardar a fantasia e ficar com essa que usamos durante todo o ano. Tomar um banho daqueles de horas debaixo de um bom chuveiro, esfregar bem o corpo para largar a purpurina, e esquecer os confetes e serpentinas que ficaram no salão.
O carnaval o verdadeiro, meus dois leitores, pelo menos por aqui, desde o primeiro dia se transforma em fotografia desbotada na parede da memória dos velhos carnavalescos. E esses, pela vez deles, assim como os seus carnavais, todos verdadeiros, não saem mais pelas ruas avisando que apesar de tudo “é preciso cantar”. Fazer o quê? Chamar a polícia? Também não. Hoje temos mais ladrões do que policiais. Perderíamos a parada. Perdemos sempre. Fica então a dúvida: chamar o ladrão seria a solução ou apenas uma rima?!
Mas apesar de tudo e de todos eles, os corruptos em especial, mais que nunca, mesmo com um Rei Momo necessitando urgentemente fazer uma redução de estomago e cheio que também anda dessa falsa alegria passageira que morre de vésperas; das “metralhadoras” e bandas que se vingam do verdadeiro carnaval, atirando balas de borracha na vã tentativa de matá-lo no cansaço das pernas folias, é preciso cantar para – se ainda for possível – acordar a cidade. E, se não for possível, nos manter acordados!
Não adianta. Não adianta mesmo. E se não adianta não tem como não se dizer que atrasa. Sigo o meu caminho contando os passos nada foliões. Estou de volta ao trabalho primeiro, a minha origem. E nesse meu caminhar não encontro um só folião por aí perdido a entoar velhas e gostosas marchinhas que faziam verdadeiro o nosso carnaval. Pausa. Acabou esse carnaval que nunca foi meu. Nosso? Também não.
Acabaram com o nosso carnaval e ninguém sabe mais cantar uma só das velhas e belas canções do tempo do meu velho Heráclito de Almeida, o folião clarinetista. O silêncio das línguas e corpos cansados é mais que sentido. Ele é visto nas imagens dos desmascarados papaguns, dos alas urso e dos tristes pierrôs e colombinas. Tudo virou uma só saudade que eles não sabem de onde vem e um gosto de cinzas na boca.
As ruas nessa da minha cidade estão vazias como os “homens do poeta” nos dias de sábado. É uma gente que não se vê; uma gente que não sorri e não se beija nem se abraça. Nenhuma dúvida: acabou o carnaval e a tristeza que estava em férias já pode voltar. Ah, também a esperança de viver outros carnavais. Tristes ou não. Afinal, vivemos no país em que o carnaval dura o ano todo. São mais de mil palhaços no salão. São mais de 200 milhões.
Cadê os confetes e as serpentinas?

terça-feira, 5 de março de 2019

A ARTE DO SILÊNCIO


Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo preso.
Algum tempo depois, descobriram que era inocente.
O rapaz foi solto e, após muito sofrimento e humilhação, processou o vizinho.
No tribunal, o vizinho disse ao juiz:
– Comentários não causam tanto mal… E o juiz respondeu:
– Escreva os comentários que você fez sobre ele num papel. Depois pique o papel e jogue os pedaços pelo caminho de casa. Amanhã, volte para ouvir sentença!
O vizinho obedeceu e voltou no dia seguinte, quando o juiz disse:
– Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem!
– Não posso fazer isso, meritíssimo! – respondeu o homem. O vento deve tê-los espalhado por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão!
Ao que o juiz respondeu: – “Da mesma maneira, um simples comentário que pode destruir a honra de um homem, espalha-se a ponto de não podermos mais consertar o mal causado.”
“Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada! Sejamos senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras.”

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

VOCÊ JÁ DISSE: “DESTA ÁGUA NUNCA BEBEREI”?


Você já usou essa frase e , quando menos esperava, viu-se com o copo na mão, bebendo da água sobre a qual havia dito que jamais beberia? Pois é, acontece com muita freqüência. Pensamos: “Jamais farei tal coisa!”... e acabamos por fazê-la. Isso acontece porque, ainda na infância, ao passarmos por alguma situação negativa com nossos pais, educadores ou alguma pessoa de nossa convivência, prometemos a nós mesmos nunca repeti-las. Ou, ao vivermos com nossos pais circunstâncias de agressão, cobrança ou comparação, afirmamos que, quando crescermos, nunca iremos agir da mesma maneira com nossos filhos. Fazemos propósitos como este: “Eu nunca falarei agressivamente com meu filho!”; ou : “Não cobrarei tanto,serei mais amigo, escutarei mais...”
Essas situações que lhe causaram tanta mágoa na infância estão todas registradas em seu inconsciente, esperando o momento oportuno para a revanche. E, quando já na idade adulta você se encontra em situações parecidas com aquelas que viveu na infância, pronto: o inconsciente age segundo seu registro, e você faz exatamente aquilo que tanto recriminou! Para que isso não aconteça, é necessário dar três passos:
• Tomar consciência daquilo que as pessoas fizeram com você, procurando compreender e perdoar, afastando de si o sentimento de revolta e inconformismo;
• Ter vontade de construir sua história de um modo diferente, rejeitando o sentimento de autopiedade;
• Desenvolver ações em sua vida, procurando realizar uma coisa nova a cada dia, por pequena que seja.
Assim você estará construindo uma historia diferente da que viveu na infância com seus pais e educadores, e a água que outrora você reconheceu que não deveria beber, não passará pela sua garganta.
Para você poder dizer: “Desta água não beberei!”, é preciso dar três passos, envolvendo consciência, vontade e ação.
Maria Salette

domingo, 27 de janeiro de 2019

RELACIONAMENTOS EXPIATÓRIOS E DOLOROSOS



Quando duas pessoas se encontram nos caminhos da Vida e sentem, de forma imediata e automática, uma conexão/atração mútua e irresistível, pode tratar-se de uma situação de um relacionamento cármico entre os dois, que já vem de outras vidas.

O que muitas vezes chamamos de encontro entre “Almas", pode ser nada mais, nada menos, do que um encontro EXPIATÓRIO. Para compreensão do leitor expiação é uma pena imposta ao malfeitor que comete um crime.

A expiação, contudo, representa uma contenção temporária da liberdade individual, necessária à reeducação do Espírito que, melhor utilizando o livre arbítrio, reajusta-se às determinações das leis divinas.
Talvez, por isso é que muitos relacionamentos que, inicialmente pareciam ter tudo para dar certo, acabam de forma dramática e muitas vezes trágica.

Mas porque será que isto acontece? E o que são encontros EXPIATÓRIOS?
Antes de mais, é importante perceber que os relacionamentos que desenvolvemos durante a nossa Vida são cármicos, na sua maioria, e surgem sempre como um aprendizado para ambas as partes. E todos aqueles com quem nos relacionamos são um espelho daquilo que somos por dentro.

A principal característica de um relacionamento cármico baseia-se no facto de que ambos parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúmes, raiva etc, trazidas de outras vidas e que precisam de ser resolvidas na vida atual. E a oportunidade de resolver dá-se exatamente pelo “reencontro” entre as duas almas.
Por causa da “carga” emocional não resolvida, estes dois seres sentem-se atraídos um pelo outro na vida atual e o reencontro entre estas duas almas é então, a oportunidade de resolverem o que ficou pendente e libertarem-se, para uma vivência mais plena e feliz.
Então o que acontece quando duas pessoas assim se encontram?
Dois seres com questões por resolver, quando se encontram sentem uma compulsão, quase que uma emergência em estar mais perto um do outro. Entretanto, depois de algum tempo, por força das questões mal resolvidas, começam a repetir os padrões emocionais dos seus antigos papéis.

A partir deste momento, em que estas duas pessoas começam a repetir os mesmos padrões emocionais que causaram problemas numa outra vida, passam a ter a oportunidade de enfrentar tal problema e talvez lidar com ele de uma forma mais iluminada. Ou não! Tudo depende do grau de maturidade emocional de cada um e da vontade de ultrapassar tal situação.
Por isso, muitos casais acabam por se separar de forma dramática e dorida, mesmo que o relacionamento tenha começado num aparente “mar de rosas” e muitas vezes, nem eles mesmo conseguem perceber muito bem porque as coisas aconteceram como aconteceram.

O propósito espiritual deste tipo de “reencontro” para ambos parceiros é que eles aproveitem esta oportunidade para fazer escolhas diferentes das que fizeram numa vida passada e aprenderem um com o outro, tudo o que deve ser aprendido e absorvido, para a evolução de ambos.

Num reencontro EXPIATÓRIO, a outra pessoa é-nos imediata e estranhamente familiar, mesmo que nunca a tenhamos visto nesta vida ou que não a conheçamos bem. Com muita frequência há também uma atração mútua, que impulsiona as duas pessoas a estarem juntas e a descobrirem uma a outra.

E este tipo de encontro, muitas vezes, acaba por se transformar num relacionamento amoroso ou numa intensa paixão. E então, as emoções que experimentamos podem ser tão avassaladoras, que acreditamos ter encontrado a “alma simpática”.
Contudo, muitas vezes, as coisas não são bem o que parecem e é preciso perceber que as emoções intensas podem estar relacionadas, muito mais com dor profunda, do que propriamente com amor mútuo.

Este tipo de relacionamento, por causa da carga emocional e bloqueios que traz consigo, trará sempre grandes desafios, muitos deles bem dolorosos, que virão à tona mais cedo ou mais tarde.

Após algum tempo, geralmente os parceiros acabam envolvendo-se num conflito psicológico, que poderá ter como base a luta pelo poder, o controlo e a dependência, seja emocional, material, ou de outra natureza.

E o que isto significa? Significa que muitas vezes, estes dois seres acabam por repetir um comportamento ou uma situação que o seu subconsciente reconhece de uma vida anterior, em que estas pessoas podem ter sido amantes, pai e filho, patrão e funcionário, ou algum outro tipo de relacionamento.

E pode ser que, nessa vida anterior, um dos dois tenha aberto uma ferida emocional no outro, através infidelidade, abuso de poder, manipulação, agressão, etc, tendo provocado cicatrizes profundas e trauma emocional.
E na vida atual, através da Lei de Atração e de Afinidade, estes dois seres reencontram-se, para se curarem.
Aqui, o convite espiritual para estas almas é que cada uma, após aprender o que deve aprender, deixe a outra ir e torne-se uma “entidade em si mesma”, livre e independente.

Relacionamentos EXPIATÓRIOS quase nunca são duradouros e caso o sejam, raramente são estáveis e felizes, sendo muito mais destrutivos do que curadores.

Com muita frequência, o propósito básico do encontro é que ambos os seres consigam mudar o padrão emocional que causou sofrimento e então, deixar o outro ir, mais leve e solto.

Uma das formas de ver se está num relacionamento cármico é analisar a energia do relacionamento. A energia do amor é essencialmente calma, pacífica, reconfortante, alegre e inspiradora. Num relacionamento cármico, a energia geralmente é pesada, dramática, cansativa e muitas vezes trágica.

Num relacionamento EXPIATÓRIO, a tarefa e o desafio exclusivos de cada um é lidar com a sua própria ferida interna e não com as questões do/da companheira. Cada um tem responsabilidade apenas por si mesmo.

Esta é uma das principais armadilhas neste tipo de relacionamentos. Muitas vezes, ficamos tão ligados à criança interior do nosso companheiro, que sentimos que temos que resgatá-lo, deixando a nossa própria criança interna abandonada.
É importante perceber que não somos responsáveis pelo nosso parceiro e ele não é responsável por nós. A solução dos nossos problemas não está nas mãos da outra pessoa.

Identifique se está neste tipo de relacionamento, aprenda as lições necessárias, cresça, evolua e quando for altura de partir, parta, mais leve, maduro e pleno.

Caso ambos parceiros sejam suficientemente maduros e evoluídos emocionalmente, o relacionamento cármico pode sim ser verdadeiramente benéfico e transformador para ambos!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Ponte ou muro?




Você faz das situações de sua vida ponte ou muro?
O mesmo material que você utiliza para construir um muro, pode ser empregado para construir uma ponte. A diferença está na posição em que você vai colocá-lo, vertical ou horizontal.
A mesma situação que lhe causa sofrimento pode ser utilizada para você isolar-se do mundo ou para entendê-lo melhor.
Quando diante do sofrimento você rumina tristeza, mágoa, medo e raiva, o que faz é construir uma barreira entre você e os outros. Quanto mais o tempo passa, mais essa barreira cresce e mais prisioneiro você se torna de seus próprios sentimentos.
Se diante da mesma situação, em vez de continuar sofrendo, você procurar entender a utilidade da perda, da decepção, da frustração, essa situação funcionara como uma ponte entre você e o outro, fazendo de você uma pessoa mais compreensiva.
Pense nas vantagens e nas desvantagens de construir um muro ou uma ponte entre você e as pessoas que estão à sua volta. Os tijolos são os mesmos, isto é, as situações podem ser as mesmas, mas é você quem vai decidir o que construir com elas.
Muros limitam. Pontes permitem ultrapassar barreiras.
Maria Salette

domingo, 16 de dezembro de 2018

REGRESSÃO DA MEMÓRIA



EMMANUEL

Se fomos trazidos à Terra para esquecer o nosso passado, valorizar o presente e preparar em nosso benefício o futuro
melhor, porque provocar a regressão da memória do que fomos ou fizemos, simplesmente por questões de curiosidade
vazia, ou buscar aqueles que foram nossos companheiros, a fim de regressar aos desequilíbrios que hoje resgatamos?
A nossa própria existência atual nos apresentará as tarefas e provas que, em si, são a recapitulação de nosso passado em
nossas diversas vidas, ou mesmo, somente de nossa passagem última na Terra fixada no mundo físico, curso de regeneração em que estamos integrados nas chamadas provações de cada dia.
Porque efetuar a regressão da memória, unicamente para chorar a lembrança dos pretéritos episódios infelizes, ou
exibirmos grandeza ilusória em situações que, por simples desejo de leviana retomada de acontecimentos, fomos
protagonistas, se já sabemos, especialmente com Allan Kardec, que estamos eliminando gradativamente as nossas imperfeições naturais ou apagando o brilho falso de tantos descaminhos que apenas nos induzirão a erros que não mais desejamos repetir? Sejamos sinceros e lancemos um olhar para nossas tendências.

Emmanuel
(Pelo Médium Francisco Cândido Xavier)

domingo, 9 de dezembro de 2018

DRUIDA


 Tudo é possível no universo divino. Muitas das almas encarnadas no planeta Terra já viveram outras experiências no passado muito diferentes das suas realidades atuais, voltando a encarnar algumas vezes para evolução espiritual ou, ainda, ajudar na transição para esferas vibratórias mais sutis em que o planeta se encontra. E, como sabemos, nossa alma traz de outras vidas algumas características essenciais, que fazem parte da construção psicológica e mental da experiência que programamos viver agora. Claro que, grande parte daquilo que constrói a nossa mente e a sensação que adquirimos da vida vem das experiências individuais que acumulamos, porém, trazemos muitas inclinações e aptidões que foram desenvolvidas em vivências anteriores.
Se você se interessa por filosofia, pelo universo misterioso e oculto e tem uma ligação profunda com a natureza e a vida humana, você pode ter sido um sacerdote Druida no passado.
Falar dos Druidas no transporta a tempos muito antigos, milênios antes de Cristo, um universo tão mágico quanto real e que que está ligado ao nascimento da Europa.
Praticamente tudo que é conhecido sobre os Druidas foi relatado por historiadores gregos e romanos que tiveram contato com os celtas, nos séculos que antecederam ao cristianismo, que descreveram esses seres como poderosos sacerdotes, sábios, conselheiros, juristas, poetas, contadores de mitos e lendas e místicos, com uma tradição inspirada pela natureza.
Os Druidas eram uma classe muito especial da sociedade Celta, que estava organizada em torno de 3 camadas sociais: o rei, os Druidas e os homens, tendo os Druidas mais importância que os próprios reis e formando uma classe poderosa dentro da sociedade Celta. Considerados sábios filósofos e dotados de dons muito especiais, eram conselheiros de reis e sacerdotes que praticavam a tradição oral para transmitir sua sabedoria. Ou seja, não utilizavam a escrita, o que favorece todos os debates históricos e falta de consenso entre historiadores e estudiosos dessa cultura.
Os interesses Druidas giravam em torno da filosofia e o conhecimento sobre todas as disciplinas. Eles estudavam os movimentos dos corpos, astronomia, ervas, leis naturais e os poderes e habilidades dos deuses, bem como todos os mistérios que envolviam a criação como por exemplo a vida depois da morte. Sobre ela, construíram um conceito avançado sobre a imortalidade da alma e a vivência de múltiplas experiências em diferentes corpos que influenciava toda a cultura Celta.
Ainda hoje muitas escolas esotéricas e religiões partilham da ideia de existência cíclica, onde a consciência seria única, imortal e eterna, descendo em diferentes corpos com objetivos evolutivos. A influência Druida e Celta no mundo ocidental é grande, pois até mesmo o Cristianismo faz referência à essa cultura e internalizou algum de seus preceitos em sua cultura, mesmo após tantas perseguições após o domínio do Império Romano na Europa.

E ENTRE OS DRUIDAS, EXISTIA ALGUMA DIVISÃO?

Todas as classes Druidas tinham suas funções a cumprir, sendo as especificidades dessas atribuições diferentes entre as seis famílias conhecidas:
  • Druida Brithem: eram os juízes, únicos conhecedores das leis Celtas.Essa classe tinha função vital na sociedade, com a missão de resolver todos os problemas e impasses entre a população.
  • Druidas Filid: mais alta classe Druida, os Filid eram místicos, descendentes diretos do cosmos com a função de intermediar o contato com o universo espiritual. Possuíam status de sacerdote e poderes especiais como cura e premonições e podiam participar de julgamentos, onde estágio mais desenvolvido era o de Mago Branco. O lendário Mago Merlin teria sido um Druida Filid.
  • Druida Liang: conhecedores de ervas e botânica, eram os médicos da sociedade e sua função estava ligada à cura dos males que abatiam a saúde dos Celtas.
  • Druida Scelaige: como a escrita era tradicionalmente proibida, os Scelaige eram pessoas que tinham como função repetir a história dos Celtas e preservar a cultura, história e as tradições. Eram como professores, incumbidos de ensinar e passar adiante toda a sabedoria que haviam acumulado.
  • Druida Sencha: ao contrário dos Scelaige, os Sencha eram entidades que deviam compreender a realidade atual, entender os fatos que estavam ocorrendo e compor novas histórias. Possuíam muito prestígio já que dominavam também a tradição, mas traziam aquilo que era novo, informações e conhecimento sobre os elementos que ajudariam na perpetuação da cultura.
  • Druidas Poetas: grandes influenciadores da tradição Celta, os Druidas poetas eram responsáveis por decorar as histórias contadas pelos Scelaiges para transmitir ao povo.

O LENDÁRIO MERLIN: O MAIOR MAGO DE TODOS OS TEMPOS

Mago Merlin é uma figura mítica que aparece nas lendas e histórias sobre o Rei Artur, como seu conselheiro, mago e profeta. Criação do cronista medieval Godofredo de Monmouth, Merlin se torna uma figura pseudo-histórica quando Godofredo incorpora seus primeiros textos sobre o mago na obra História dos Reis da Bretanha.
Merlim é conselheiro de Uter Pendragão, sendo o artífice da união amorosa entre Uter e Igraine, pais do futuro Rei Artur, sendo seu futuro conselheiro também. É citado como responsável pelo transporte das pedras usadas na construção de Stonehenge, estrutura misteriosa composta por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter 5 m de altura e a pesar quase 50 t e que, até hoje, desafiam a arquitetura e historiadores.
Merlin tinha a capacidade de conhecer o presente, passado e futuro e o poder de transformar-se em qualquer forma: feminina, masculina ou animal. Era muito respeitado pelos seus conhecimentos em alquimia e artes ocultas, muitos superiores a qualquer outro ser da época. Assim, era visto com um Deus pelos homens comuns, devido à tanta sabedoria e dons especiais.


O DRUIDISMO MODERNO

Como vimos, a proibição da escrita na tradição Druida fez com que pouco dessa cultura sobrevivesse até os dias de hoje. Após a dominação romana os Druidas foram perseguidos,
e, a partir do momento em que a sociedade Celta desaparece, os Druidas também encontram seu fim enquanto organização social. Mas, mesmo assim, os princípios druidas são citados posteriormente por diversas culturas que interagiram com os Celtas, fazendo-os sobreviver envoltos em muito mistério e misticismo até a modernidade.
Naturalmente o druidismo pressupõem uma flexibilidade grande, especialmente no que diz respeito aos ritos, dogmas e crenças, trazendo grande liberdade na prática atual e muitas diferenças entre as correntes que, devido à herança maçônica e hermética de muitas ordens druídicas modernas, alguns praticantes crêem que só há druidismo dentro dessas ordens. Foi somente a partir dos trabalhos recentes da Order of Bards, Ovates and Druids (OBOD) e também da British Druid Order (BDO) que esse quadro começou a mudar, tornando o druidismo acessível às pessoas.
A busca por uma vida melhor é um dos principais objetivos humanos, que se esforça em entender as questões sobre nossa complexa existência e trazer conforto espiritual. No druidismo, a ideia é utilizar o conhecimento para atingir um estado profundo de consciência que, por si só, é responsável por matar nosso vazio existencial e nos tornar pessoas melhores. Autoconhecimento é então a base do druidismo moderno, assim como o aprimoramento ético e espiritual individual: ao curar o indivíduo, cura-se também a comunidade.
Essa abertura de consciência liberta o espírito da dominação e manipulação que a sociedade impõe e devolve às nossas mãos o controle de nossas vidas.

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